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Terra Blog

26.05.08

Stand by me

Por José Augusto Aguiar




Quase dois anos depois eles pagaram a promessa. O grupo que estudou junto e, sobretudo, celebrou a mais bela e necessária arte: a arte de festejar, valorizar e construir amizades sólidas. Estavam juntos numa mesa de bar. No bar deles. Numa rua tranqüila do interior próximo de São Paulo. Na verdade, do grupo restaram só três pessoas. E essas três só se encontraram no bar em pares de dois. E eu fui o felizardo de compartilhar a mesa primeiro com o mais louco, e depois com a mais aventureira. Primeiro com o cara que disputa uma espécie de campeonato mundial de falar besteiras por segundo. Depois com a moça que fugiu do mundo pra trabalhar na construção de uma hidrelétrica, com a tarefa nada fácil de informar e cuidar das pessoas que perderam suas casas pra energia chegar, nos limites de Goiás e Minas Gerais. Sim, faltaram alguns, que avisaram que não poderiam, e outros que simplesmente não deram as caras. Assim são as amizades que um dia, no calor ingênuo da juventude, pensamos ser para sempre. Umas desaparecem, outras ficam.

Ficam para serem resgatadas e cantadas na mesa do nosso bar. Um bar com mesas de madeira, paredes de tijolos vermelhos incrustadas de posters de mitos do rock e cinema, uma boa cerveja e sempre com um showzinho acústico de rock pra entreter a galera e semear os profundos ventos e melodias do rock clássico.

Falamos das zoeiras e bagunças do passado, do barulho e loucuras que semeávamos na faculdade e no hotel, das sextas insanas e sábados em que parecíamos zumbis, das boas e más aulas, dos mestres e farsantes, das lições de palavras e da vida. E também do presente ainda duvidoso e futuro incerto, mas ainda com sonhos a serem encarados. Falamos do que tentaremos fazer de nossas vidas. E não falamos do óbvio que um encontro com grandes companheiros do passado não precisa traduzir verbalmente: que era bom demais estar ali, naquele lugar familiar, junto daquela mesa e paredes que presenciaram tantos bons momentos, de tantos bons amigos. Não falamos mas sentimos, especialmente quando o violão honesto e emoção do cantor da noite mandou o ponto alto da noite. Mandou Oasis, Stand By Me. Conta Comigo. Sim, de repente estávamos num pub inglês encarando juntos o frio (fios) da vida. Juntos na bela cidade (mas de povo frio, com exceção dos cantores de nosso bar) tão perto de São Paulo. Juntos porque celebrávamos um dos ingredientes vitais da amizade que criamos: as melodias e palavras mais belas do rock. Palavras-mensagens, palavras proféticas, ou simplesmente o avassalador ritmo da vida:

Stand by me, nobody knows the way´s gonna be... Conta comigo, ninguém sabe de que jeito que vai ficar, qual caminho que vai rolar...

Não pára de rolar é esse sentimento bom de sentar com amigos e amigas do peito pra escutar um som num lugar acolhedor e conversar sobre as coisas mais importantes da vida. Só isso que queria de meus amigos aqui de Sampa. Só isso. Trocar idéias, afetos, abraços e canções num lugar legal. Num lugar que pudéssemos chamar de nosso templo da amizade e rock and roll.

Ainda não encontrei nenhum bar como esse por aqui. Ou talvez os amigos e amigas daqui não estejam se empenhando para me ajudar nessa busca, tão importante, de um refúgio-templo noturno da amizade.

Se alguém encontrar, avisa. Tudo que quero são as boas canções, do rock e dos belos corações e sonhos de vocês, meus amigos e amigas paulistanos.

...

  • criado por  Luci criado por Luci
  • Postado em 23:57:52
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