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Sempre me considerei uma pessoa dividida (amores, amizades, cidades, planos). E por muito achei que isso fosse ruim. Era sinônimo de indecisão. Fazer o quê, pra quê, onde morar, quem escolher pra amar, por quê?!...
Hoje, a suposta indecisão é o meu maior trunfo. A profissão contribuiu muito para dilatar a consciência, conhecer e aceitar ambientes, gentes, coisas, razões... Sobretudo, a insatisfação com o ofício. Tenho pouco tempo nessa vida pós-faculdade, mas já percorri muitos “quilômetros” (nos últimos tempos, literalmente -- cerca de 300 por dia).
No entanto, só agora descubro que o diploma recebido não é uma camisa-de-força reducionista encerrada na palavra Jornalismo. E se pudesse deixar um conselho para o estudante que, desavisado como eu, caiu numa faculdade que “ensina nossa profissão” -- ou mesmo para um colega recém-formado --, eu diria: enxergue e esmiúce bem as duas palavras que vêm antes de “Habilitação Jornalismo”, registradas na ficha do Vestibular ou estampadas no diploma guardado na gaveta.
Sim, porque o curso, na verdade, é de Comunicação Social. E o meu atual desafio tem sido descobrir suas possibilidades. Inúmeras e excepcionais.
O que mais tem valido a pena?!...
Atualmente, a Comunicação tem me proporcionado sorrisos sinceros e singelos, abraços que curam nós na garganta, que preenchem buracos no peito, palavras que cicatrizam feridas, além de reflexões que transcendem a mera funcionalidade do raciocínio dedutivo.
Ela me aproxima de sentimentos singulares, sem qualquer cortina de falsidade. Faz-me entender cotidianamente o sentido da compaixão -- muito diferente do sentimentalismo revestido de pena, que impõe valas entre seres humanos.
O ofício também me faz sofrer o sofrimento alheio, mas a empatia (o ver, sentir, se colocar no lugar do outro) conforta-me -- tanto nas minhas como nas outras angústias.
Obviamente, há muito o que aprender. Muito mais do que a ensinar. Mas só temos essa percepção quando aceitamos nossos equívocos e renunciamos a uma estabilidade (onde todos nos reconhecem, valorizam, elogiam) e optamos por mudar (interna ou externamente) e (re) descobrir.
O novo nem sempre é mais difícil, mas mete medo, desafia. O mais importante, contudo, é que nos faz acreditar no valor das amizades, das relações humanas. Porque não existe nada mais desolador que duvidar de sua própria condição.
criado por Luci
12:13:40